Bilhões em jogo: TotalEnergies aposta novamente em Moçambique

Bilhões em jogo: TotalEnergies aposta novamente em Moçambique

4 de Abril, 2025 0 Por AdminYanna

A multinacional TotalEnergies confirmou a retomada do seu ambicioso projeto de exploração de gás natural na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, após aprovação de um financiamento robusto pelo Banco de Exportação-Importação dos Estados Unidos (EXIM), no valor de aproximadamente 4,2 mil milhões de euros.

A decisão reacende a esperança de desenvolvimento económico na região, especialmente em Afungi, onde as obras foram interrompidas em 2021 devido à escalada da violência armada. Especialistas locais veem a medida como um indicativo de confiança por parte dos investidores, apesar do cenário de insegurança ainda presente em várias zonas da província.

Segundo Frederico João, presidente do Fórum das Organizações Não-Governamentais de Cabo Delgado (FOCADE), os sinais são positivos: “Trata-se de um voto de confiança dos financiadores. Isso mostra que o projeto está vivo e tem condições de avançar.”

O académico Zito Pedro também acredita que a injeção financeira representa um marco importante:

“Este apoio pode aliviar a pressão interna e reforçar a certeza sobre a continuidade dos investimentos na Bacia do Rovuma.”

Entretanto, logo após o anúncio do financiamento, relatos apontam para um aumento nas incursões armadas, principalmente ao longo da Estrada Nacional 380 e em áreas do distrito de Ancuabe. O ressurgimento desses ataques reacende preocupações sobre a segurança no corredor logístico que liga Palma, zona estratégica do projeto.

Vasco Achá, outro académico ouvido, alerta para o agravamento recente da situação: “Desde o anúncio, vimos uma intensificação dos ataques a comboios de viaturas e sequestros, o que remete a padrões antigos de violência.”

Mesmo assim, os analistas consideram que a TotalEnergies pode manter suas operações, como ocorre em outras regiões do mundo onde grandes empreendimentos convivem com instabilidade. “É comum vermos megaprojetos em zonas onde há presença de grupos armados. Moçambique não é exceção”, reforça Achá.

Com a retomada prevista, espera-se que a economia local e nacional seja impulsionada. Frederico João defende que o empresariado moçambicano se organize para aproveitar as oportunidades que surgirão: “A melhor forma de beneficiar desse projeto é através de consórcios locais. A atuação isolada dos empresários poderá enfraquecer seu impacto positivo.”

Apesar das incertezas, cresce a expectativa de que o retorno do projeto traga ganhos para a população, fomentando o desenvolvimento e a criação de emprego numa província marcada por anos de conflito.